Gestão e Estratégia

ENACAL 2026: CEO da C-Group Educação palestra no maior encontro nacional de calcário agrícola

Após 32 anos falando de calcário, agro e mineração, o encontro passa a incluir negócios e gestão. Antonio Fonseca, CEO da C-Group Educação, palestra no pilar Liderança, Pessoas e Cultura

06 de outubro de 2026 13 min de leitura

RESUMO
O ENACAL – Encontro Nacional dos Produtores de Calcário Agrícola chega à edição de 2026 com 32 anos de história e uma mudança de rota: além de mineração, agro, ciência e tecnologia, o evento passa a incluir negócios e gestão. Entre os quatro pilares de palestras está Liderança, Pessoas e Cultura, que terá Antonio Fonseca, CEO da C-Group Educação, no palco. A edição acontece de 11 a 13 de novembro, no Royal Palm Tower, em Indaiatuba (SP).

Durante 32 anos, o ENACAL aborda o universo do calcário. O encontro percorreu os pólos de produção do país, passando pelas regiões onde a rocha é extraída, moída e transformada em insumo para a lavoura, e fez dessa itinerância a sua marca. O endereço sempre mudou de uma edição para outra, mas o assunto permaneceu o mesmo: o solo brasileiro e as empresas que trabalham para corrigi-lo. Em novembro de 2026, o evento chega a Indaiatuba, no interior paulista, com uma pauta que a trajetória itinerante não previa: além do solo, quem trabalha com ele.

Para entender o peso dessa mudança, é preciso lembrar o papel do produto que dá nome ao encontro. O calcário agrícola é um corretivo de solo, usado para reduzir a acidez da terra e melhorar o aproveitamento dos nutrientes pelas plantas. Como boa parte dos solos brasileiros é naturalmente ácida, a correção está na base de uma cadeia que vai da mina à lavoura, e o setor que a sustenta cresce, em média, cerca de 10% ao ano, segundo os dados apresentados pelo evento.

Crescer nesse ritmo, no entanto, traz um desafio que não está na jazida nem no talhão. Uma empresa que amplia a produção e conquista novos mercados precisa contratar, formar e manter equipes e, muitas vezes, conduz essa expansão sendo uma companhia que nasceu familiar e agora opera em escala industrial. Esse tipo de gargalo costuma ser percebido tarde, quando já afeta o resultado da empresa, e raramente encontrava espaço em um congresso estritamente técnico.

É nesse ponto que a edição de 2026 se posiciona. O programa reserva um dos seus quatro pilares de palestras para Liderança, Pessoas e Cultura, e o CEO da C-Group Educação, Antonio Fonseca, foi convidado a ocupar esse espaço. A escolha dá ao tema um lugar de destaque em um evento que, até aqui, tinha o solo como protagonista.

O que é o ENACAL?

O ENACAL é o único encontro nacional que conecta mineração, agronegócio, ciência e tecnologia em torno do solo brasileiro. Ao longo de mais de três décadas, o evento se consolidou como o ponto de encontro de quem produz calcário, de quem o vende e de quem o aplica, e construiu essa reputação percorrendo os pólos de produção do país em vez de se fixar em uma única cidade.

Reunir essas quatro frentes no mesmo ambiente não é trivial. A mineração extrai e processa a matéria-prima, o agronegócio a aplica e depende do resultado, a ciência valida e aprimora as práticas, e a tecnologia amplia a eficiência de cada etapa. São elos de uma mesma cadeia que, no dia a dia, costumam conversar por intermédio de contratos e de fornecedores. No ENACAL, eles dividem a mesma sala.

Cada edição reúne cerca de 200 lideranças de cinco grandes segmentos: mineradoras e produtores de calcário, indústria de insumos, agro de alta performance, equipamentos e logística, e ciência e tecnologia. O número reduzido é uma escolha deliberada. A organização descreve o evento como um ambiente curado, desenhado para que quem decide esteja próximo de quem fornece, de quem compra e de quem pesquisa, sem a dispersão de grandes feiras.

Há ainda a ambição declarada pela própria organização, a de ser o encontro que está reposicionando o setor de calcário agrícola, agro e mineração no Brasil. Com um mercado de corretivos que cresce a cerca de 10% ao ano, a proposta é que o evento deixe de ser apenas um espaço de atualização técnica e passe a ser um lugar onde a indústria discute o próprio futuro e a edição de 2026 é o primeiro passo mais claro nessa direção.

Do congresso técnico à arena de negócios

Até aqui, o ENACAL era um congresso técnico tradicional, com foco nos temas de produção, de qualidade do insumo e de aplicação no campo. Em 2026, com o apoio da V4 Company, ele entra em uma nova fase e passa a operar como uma arena estratégica de negócios e transformação setorial, um movimento que altera tanto o conteúdo quanto o tipo de conversa que o evento propõe.

A mudança aparece na grade de temas. Entram no programa a inteligência artificial aplicada à operação e ao comercial, o posicionamento de marca no agro, a eficiência operacional industrial, a conversão de toneladas em receita, o benchmarking entre operações e a inovação em novos produtos e mercados. São assuntos que, até pouco tempo atrás, raramente dividiam o palco com a geologia e a agronomia, e que refletem a pressão de um setor em crescimento por profissionalizar a gestão e a venda.

Na prática, a nova fase significa um palco maior e mais estratégico para quem tem algo relevante a dizer sobre negócios, pessoas e tecnologia. É uma produção que busca o padrão dos grandes encontros de negócios, aplicada a um setor que sempre cultivou o perfil técnico.

A expressão “conversão de toneladas em receita”, que aparece entre os novos temas, ajuda a resumir o recado. O setor sempre soube produzir e o desafio agora é vender melhor, gerir melhor e reter melhores profissionais. Ao incluir negócios e gestão no centro do programa, o ENACAL reconhece que a competitividade das empresas passou a depender tanto da operação industrial quanto das decisões tomadas por quem a conduz.

Quem estará na plateia?

O perfil de público ajuda a explicar o novo posicionamento. Mais de 50% dos participantes são tomadores de decisão, com poder direto sobre compra, produção e expansão dentro das suas empresas. Isso significa que o conteúdo apresentado no palco não se destina a quem observa o setor de fora, mas a quem pode alterar o rumo de uma operação.

Entre as funções predominantes estão CEOs e sócios, diretores industriais, gerentes comerciais, produtores rurais, agrônomos e pesquisadores e compradores do agro. A mistura é incomum: de um lado, quem comanda a empresa e a fábrica; de outro, quem negocia o produto, quem o aplica na lavoura e quem estuda os resultados. Cada grupo olha para o mesmo setor a partir de uma necessidade diferente e o evento nasce justamente dessa convivência.

Os segmentos representados incluem mineradoras de calcário, indústria de insumos, agro de alta performance, equipamentos e logística, e ciência e tecnologia. A lista completa de empresas confirmadas será divulgada pela organização conforme o fechamento das cotas de patrocínio, o que indica que o perfil de público ainda está em consolidação para a edição de 2026, embora as funções e os segmentos já estejam bem definidos.

Esse desenho é desafiador para quem sobe ao palco. Falar para uma plateia em que a maioria decide, e em que o dono da mineradora senta ao lado de quem compra o insumo e de quem o aplica, exige uma abordagem prática e direta. Teorias genéricas não sobrevivem a uma sala assim, e é por isso que os temas aprovados para o programa de 2026 giram em torno de problemas concretos de negócio.

O programa de palestras e seus quatro pilares

O programa de palestras de 2026 foi organizado em quatro pilares, com uma conferência convidada para cada um deles. Os temas foram aprovados pela organização com o objetivo de levar visão de negócio ao setor. A lógica é cobrir, em quatro blocos, as principais frentes que uma empresa precisa dominar para crescer.

O primeiro pilar, ‘Finanças, Economia e Estratégia’, trata de como fazer a empresa crescer com segurança financeira e visão de longo prazo. O segundo, ‘Marketing, Vendas e Posicionamento’, aborda como fortalecer a marca, conquistar clientes e aumentar resultados. São dois blocos que olham para a saúde do caixa e para a capacidade de a empresa ser vista e escolhida, ambos fundamentais para um setor em expansão.

O quarto pilar, ‘Inovação, Tecnologia e IA’, discute o uso da tecnologia para elevar produtividade, competitividade e lucratividade. Entre eles está o terceiro pilar, ‘Liderança, Pessoas e Cultura’, dedicado a como formar equipes de alta performance e preparar empresas para o futuro. É o que mais destoa da tradição do evento e o que mais conversa com as demais frentes, porque finanças, vendas e tecnologia dependem de pessoas capazes de executá-las.

Em um setor historicamente medido em tonelada extraída, tonelada transportada e tonelada vendida, a pergunta que esse pilar coloca é outra: quem faz essas toneladas acontecerem, e o que mantém essas pessoas alinhadas quando a empresa cresce? A resposta não aparece em nenhum balanço, e é justamente por isso que ela precisa de um espaço próprio no palco.

Quem é Antonio Fonseca e o que ele leva ao palco

Antonio Fonseca é CEO da C-Group Educação, a “Casa do Empreendedor Mineiro”. O ecossistema atua com pequenas e médias empresas de Minas Gerais e reúne uma comunidade de empresários, o C-Club, que promove rodadas de negócio entre pares,; além de um evento mensal, o C-Talks; um podcast, o C-Cast; e uma assessoria de marketing e performance, a C-Growth. Há ainda um braço social, o Conexões que Alimentam, em parceria com a Mudando Histórias.

Conselheiro de empresários, Fonseca tem como marca a leitura direta da realidade de quem reestrutura e conduz negócios em Minas Gerais. É essa convivência diária com donos de empresa, e com os problemas que raramente aparecem nas apresentações institucionais, que fundamenta a abordagem que ele leva ao ENACAL. Para ele, o tema do pilar não é abstrato, e começa pela definição do que, de fato, é uma cultura empresarial e de quem depende que ela sobreviva:

“Cultura não é o que está na parede. É o que o time faz quando o dono não está olhando. E, se só o dono sustenta essa cultura, ela tem prazo de validade: vai embora no dia em que ele sair. Líder de verdade não é quem tem todas as respostas, é quem deixa a empresa de pé, com gente que pensa e decide como ele pensaria mesmo quando ele não está na sala.”, indaga o empresário. 

A fala resume o ponto de partida da palestra: cultura não se declara em quadros e manuais, se observa no comportamento cotidiano de quem trabalha na empresa e só é patrimônio quando consegue existir sem a presença constante do fundador. E o comportamento de um time, segundo o CEO, depende de uma decisão que cabe ao líder, a de deixar claro para onde a organização está indo e por quê, hoje e na próxima geração:

“Empresa não perde gente por falta de salário, perde por falta de rumo. O líder que não explica onde está indo não pode reclamar de quem para de andar. E isso vale em dobro na sucessão: o sucessor herda a empresa, mas só herda a confiança do time se alguém construiu, com antecedência, o rumo, as regras e a cultura que ele vai continuar.”, declara o CEO. 

O argumento é especialmente pertinente para um setor que cresce com rapidez, pois quando uma empresa dobra de operação, equipamentos e processos se replicam com relativa facilidade, bastando apenas comprar, instalar e treinar. A cultura, não. Ela precisa ser transmitida de pessoa para pessoa, e isso exige que o líder saiba, e consiga comunicar, para onde a empresa vai. É essa a mensagem que Fonseca leva a uma plateia formada, em sua maioria, por quem está na linha de frente, ou seja, por quem decide.

Dentro do pilar de Liderança, Pessoas e Cultura, a participação de Fonseca não se limita à palestra. Ele também conduzirá um painel sobre sucessão familiar, um dos temas mais sensíveis para as empresas de gestão familiar que formam boa parte do setor. A passagem de comando de uma geração para outra costuma ser tratada como um assunto privado, adiado até que se torne urgente, e o painel propõe o oposto: colocá-la em discussão aberta, com quem já pensou o tema pelo lado do planejamento e com quem o viveu na prática.

O primeiro convidado é Bernardo Ottoni, sócio da Vêneto Family Office, eleita Melhor Family Office pela Leaders League e destaque no FILASA 2025. A Vêneto gere o patrimônio de diversas empresas e famílias empresárias, entre elas o Mart Minas, e traz ao painel a visão estratégica do planejamento sucessório: como organizar o patrimônio, as regras de convivência e o processo de transição para que a troca de comando seja uma decisão preparada, e não uma crise.

O segundo é Matheus Neves, sucessor e atual CEO do Mart Minas, referência nos setores de atacado e varejo em Minas Gerais e uma das cinco maiores empresas do segmento no Brasil. Neves começou na empresa aos 15 anos e passou por diversas áreas, do atacado à parte administrativa, até assumir a liderança. É a prova social do painel, a voz de quem atravessou a sucessão do lado de dentro.

A presença de um sucessor e de um gestor de patrimônio no mesmo painel dá ao debate dois ângulos complementares. Ottoni olha para a estrutura que permite a transição acontecer, e Neves mostra o que ela exige de quem recebe o comando. Entre os dois, Fonseca conduz a conversa para o ponto em que ela interessa à plateia do ENACAL: o de empresas que cresceram rápido, ainda são conduzidas pelos fundadores e precisam decidir, a tempo, quem vai liderá-las depois.

Por que isso importa

Em um mercado em crescimento, o gargalo deixou de ser apenas técnico, e passou a estar também na capacidade de a empresa atrair, formar e manter bons profissionais. A produtividade da mina continua sendo decisiva, mas ela depende cada vez mais de quem opera, supervisiona e lidera a operação.

Há ainda questões que costumam acompanhar o crescimento de empresas de gestão familiar, como a sucessão, a profissionalização da diretoria e a formação de uma segunda geração de líderes. São desafios que não se resolvem com investimento em equipamento, e que tendem a ser adiados até que se tornem urgentes. Dar espaço a esse debate em um evento que reúne CEOs, sócios e diretores é um sinal de que o setor começa a tratá-los como parte da estratégia.

Para o CEO da C-Group Educação, estar no palco do ENACAL é levar a um público novo um debate que já faz parte do seu cotidiano com os empresários mineiros. Na comunidade que o ecossistema mantém, a conversa entre pares sobre o que funcionou e o que deu errado na gestão de equipes é o ponto de partida, e a lógica é a de que o empresário não cresce sozinho, cresce em ambiente. O palco do ENACAL amplia o alcance dessa ideia para uma plateia de outros estados e de outros segmentos.

Para o evento, a presença de um pilar dedicado a pessoas, cultura e sucessão é o sinal de que a nova fase, a de arena de negócios, não se limita a ferramentas e tecnologia, passa também por quem as opera. Se a edição de 2026 cumprir o que promete, o ENACAL deixará de ser lembrado apenas como o encontro do calcário e passará a ser reconhecido como o lugar onde o setor discute como crescer com as pessoas que o sustentam.

Fontes: programa de palestrantes do ENACAL 2026 e materiais institucionais da C-Group Educação.

Da leitura para a prática.

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